segunda-feira, 30 de novembro de 2020

quando foi que ficamos um pouco loucos?

num sobressalto chegou pros três amigos reunidos que conversavam e riam e se apresentou, rapidamente dizendo a que veio: vocês ouviriam algumas músicas minhas? seus olhos pareciam crescidos quando falava das percussões e de outras ideias musicais, sempre esperando ansioso uma resposta, como se buscasse ler os pensamentos vazantes da mente de seu interlocutor. chegava perto, falava perto, olhava perto. era meio louco, de fato. seus olhos crescidos se tornam um cartoon perfeito na memória daqueles prédios também enormes, onde habitou por várias tardes no decorrer de mais ou menos um ano e meio. vagava na maioria do tempo na companhia de alguém com a cabeça virada à pessoa, sinalizando algum som para ela ouvir no seu smartphone antigo. parecia definitivamente que tinha inúmeras coisas a dizer antes daqueles encontros de corredor se findarem por pura pressa ou horário de ônibus. vários livros escritos no word, várias músicas, personas, realmente muitas percussões, passos dançantes, vídeos em sépia e azulados, muita obra começada e terminada imaginariamente, versos livres, sem pausa, freneticamente um registro corrido de pensamentos, mas que faziam tanto sentido se aquela frequência fosse acessada.

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

[ao som de jazz]

estar numa noite na plateia de uma sala de concerto, vestida com minha roupa preferida, calçando chinelos, meu colar de âncora, meus cabelos rebeldes enormes soltos, sem dinheiro, bem alimentada, sozinha ali, só aproveitando a sensação do desconhecido, a embriaguez da música, a energia desse lugar. esquecer do smartphone por aquelas horas, sorrir com a pessoa desconhecida mais próxima quando os músicos fazem alguma piada. criar um laço eterno/efêmero navegando naquele sentir quase louco e excitante de todos os poros e neurônios adormecidos, ver um rosto conhecido e apenas estar no presente. tirar uma única foto pra lembrar que lá estive, sair extasiada, caminhar o centro todo pra casa com mil pensamentos brisantes de possibilidades e caminhos infinitos que posso/irei viver, me sentir eterna num momento, me sentir em constante mudança, ver-me parte de algo, lembrar dos olhares, imaginar palavras ainda não ditas. fazer da caminhada esse ritual, andando devagar, olhando cada pedacinho da cidade com curiosidade, depois finalmente chegar em casa, trocar de roupa, deitar na cama e não conseguir dormir por horas, ainda viajando na brisa boa. saudades disso.

choro engasgado

tou com um choro engasgado no meu sentir de hoje não encontro alguém com quem eu possa estar vulnerável e me permitir estar triste me cobro ...