domingo, 27 de dezembro de 2020
*[tatuí em 23 de novembro de 2020]*
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
eu tou em cacos
eu tou em cacos, juntando cada centelha de luz que entra pra conseguir iluminar esse caos e encontrar um jeito de restaurar meu coração. frequentemente me pego pensando nos que se foram nos últimos dias, elas não voltarão a ver o mundo sem pandemia, quem fica não vai vê-las mais por lá, e um dúvida surge: será que EU vou voltar a ver o mundo sem pandemia? desde meu encontro com minha profecia infantil de morte aos 24 anos quando nesse bendito 2020 eu os completei, é difícil eu passar um dia sem ouvir falar ou passar por mim esse tema. eu sonhei muito nos últimos dias com esse tema de morte/renascimento e cobras, sempre cobras. pensei sobre elas. além de ser um dos únicos animais que eu definitivamente tenho medo, ela pode representar muito bem esse ciclo de morte/renascimento em sua troca de pele sazonal. faz sentido, se for ver... pelo menos pra mim. enfim, eu senti muito cada pedacinho de conhecidos que morreram e parece que nesse ano está morrendo muita gente, tanto de covid-19 quanto de outras coisas. é bizarro. sendo bem otimista e aproveitando esse momento, apesar de ser de muito sofrimento, essa minha sensibilidade com essa questão, além de choros e eventual ansiedade, tem me rendido uma melhor maturidade, eu acho. antes eu custava aceitar que as pessoas morrem e me esforçava pra durar o máximo possível, até pra que eu não precisasse pensar sobre; hoje eu sei que morremos sim e que, infelizmente, pode ser antes do que a gente imagina, mas que, diferente do que eu pensava quando adolescente, isso não precisa ser algo triste. houve um dia que eu não vi saídas pra mim, um dia que eu desisti de verdade de viver, cansei, mas no fim sobrevivi a ele e estou aqui. de resto, houveram muitos outros, desde o ano passado que eu pensei que não estar aqui fosse o melhor, mas não desisti integralmente. por causa dessas coisas, eu venho redescobrindo meus prazeres de criança de só observar o tempo passar, o balanço da natureza e o funcionar das coisas. tenho revisitado memórias, criado afetos com a terra, abandonado culpas e também a esperança cega nas pessoas. tem sido duro, mas tem sido minha verdade. muitas vezes é também meu prazer quando me deixo invadir pela leveza do desconhecido ao invés da densidade dessa escuridão interior/exterior que estou acessando como novidade. frequentemente me vejo falando às pessoas que não consigo ajudá-las, infelizmente, por estar lidando, inclusive com dificuldade, com minhas próprias questões. de tanto não aguentar, aprendi a dizer que tou em cacos e não gastar energia pra tentar disfarçar, salvo grandes necessidades. de ver o lado bom das coisas, acho que a pandemia de certa forma me salvou e isso é muito profundo. eu iria ter que dar um freio de qualquer forma, calhou de ser externo. fazer o que? ainda tem mais uma: meus pais estão separando. mais um luto, mas mais um começo para nossa família. apesar de tudo, eu costumo gostar de novos rumos, só ainda lamento meu pai não ir tão devagar em certas questões. uma forma que eu vi que dá pra lidar com as coisas é surtando mesmo, botar pra fora tudo me salvou naquele dia que desisti. anotado. e também nem todo mundo pode surtar na mesma hora, revesem os surtos. anotado. eu posso surtar, não sou uma pessoa perfeita e isso é extremamente libertador. anotado. estou vulnerável, em cacos, tou tentando me reconstruir, lidem com a minha eu interiorizada. vai dar tudo certo mesmo parecendo que não vai.
choro engasgado
tou com um choro engasgado no meu sentir de hoje não encontro alguém com quem eu possa estar vulnerável e me permitir estar triste me cobro ...
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eu tou em cacos, juntando cada centelha de luz que entra pra conseguir iluminar esse caos e encontrar um jeito de restaurar meu coração. fre...