segunda-feira, 30 de novembro de 2020

quando foi que ficamos um pouco loucos?

num sobressalto chegou pros três amigos reunidos que conversavam e riam e se apresentou, rapidamente dizendo a que veio: vocês ouviriam algumas músicas minhas? seus olhos pareciam crescidos quando falava das percussões e de outras ideias musicais, sempre esperando ansioso uma resposta, como se buscasse ler os pensamentos vazantes da mente de seu interlocutor. chegava perto, falava perto, olhava perto. era meio louco, de fato. seus olhos crescidos se tornam um cartoon perfeito na memória daqueles prédios também enormes, onde habitou por várias tardes no decorrer de mais ou menos um ano e meio. vagava na maioria do tempo na companhia de alguém com a cabeça virada à pessoa, sinalizando algum som para ela ouvir no seu smartphone antigo. parecia definitivamente que tinha inúmeras coisas a dizer antes daqueles encontros de corredor se findarem por pura pressa ou horário de ônibus. vários livros escritos no word, várias músicas, personas, realmente muitas percussões, passos dançantes, vídeos em sépia e azulados, muita obra começada e terminada imaginariamente, versos livres, sem pausa, freneticamente um registro corrido de pensamentos, mas que faziam tanto sentido se aquela frequência fosse acessada.

 

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