segunda-feira, 2 de maio de 2022

quase 1 ano sem você, vó

Hoje acordei pequena, com um pesar e querendo me esconder do mundo. Pensei estar lidando somente com a frustração do dia de ontem, que teve o show gratuito no 1º de maio do Sindicato dos Metalúrgicos no Parque das Águas em Sorocaba e eu não consegui aproveitar como eu estava esperando, porque passei mal com tanta gente. Esse sentimento foi ruim, mas passou, cheguei à conclusão de que me respeitar é a minha meta e ontem eu consegui, no momento lá eu lidei da melhor forma que eu podia ter lidado: me respeitando e respeitando o Kevin que também não estava bem quando chegamos. Chegada a essa conclusão, o pesar ainda ficou. Chorei ao ver uma lembrança do pai de uma amiga que se foi há uns anos e ela escreveu sobre como gostava de ouvir as histórias dele, chorei lembrando que eu também queria ouvir novamente todas as histórias da minha vó.

Há uns dias que olho a data, vejo lembranças de um ano atrás e me lembro que dia 7 de maio está chegando. Será que já faz um ano que não ouço sua voz, vó? Que saudade que me aperta. Eu queria te contar, tanta coisa mudou desde que você partiu! Eu tentei fotografar pra ir me lembrando, mas nosso quintal tem um muro enorme no meio, meu pai não mora mais na chácara, eu tenho uma nova casa (que queria muito que a senhora visse), toco em um trio de samba, não tenho mais o riso tão fácil, me sinto mais forte, estou conseguindo ganhar dinheiro novamente e trabalhar com o que gosto. 

Essa deve ser nossa última foto juntas. Agora te entendo mais ainda quando dizia que não gostava do seu rosto magrinho, o meu também ficou assim nesse tempo. Eu não sei como tive forças pra te acompanhar e servir em seus últimos dias, foi nosso amor que me manteve ali apesar de tudo. Desde sempre, eu queria te dar o prazer das coisas simples, que a senhora tanto amava, e creio que conseguimos juntas. Essa foto tem muito do nosso amor, né? As mãozinhas carinhosas, o riso e a cara boa das duas, a Meg nossa companheirinha, na entrada da sua casa com as plantas, eu ainda de máscara para ter todo o cuidado. 

As coisas voltando assim também me trazem um sentimento estranho, que eu já devo ter escrito sobre ele, mas me repito, que é voltar com tudo diferente. Voltar sem a senhora aqui pra eu contar sobre os meus dias, sem ouvir a senhora contar dos seus e sairmos juntas bater perna. Ainda bem que fomos no mercado juntas antes da pandemia acabar mesmo eu com medo, né? Você insistiu que queria ir, não te importava a Covid, será que a senhora já sentia que tava partindo? Aquele dia me deixou boas lembranças. 

Tento dia a dia transformar essa tristeza do luto em impulso pra viver e construir a vida que eu quero para mim no dia de hoje. Tem dias que o que eu consigo é apenas chorar litros e ficar enfiada em casa sem fazer muito, e tenho conseguido sobreviver sem culpa e com respeito por mim nesses dias também. Não rio mais tão fácil, mas consigo lidar com dias difíceis com tranquilidade agora. Vi a senhora passar por dias assim também e sempre querendo trabalhar para se sentir útil, espero que aqui mesmo você tenha conseguido ter essa tranquilidade sem culpa de ficar "a toa" quando não está muito legal. Minha vó era minha melhor amiga, minha puxa-saca, como diz minha mãe, e eu dela. 

Tudo passa e passa rápido, por mais que um momento ruim pareça uma eternidade. Eu sou forte e agora também estou aprendendo a ser vulnerável, assim me sinto mais forte ainda, sabia? Fui crescida e regada no amor da senhora, do vô, dos meus pais e da nossa família toda e por isso tenho raízes fortes que me ajudam/ajudaram a sobreviver mesmo no inverno mais rigoroso que a minha alma enfrentou. Hoje consigo até falar e escrever sobre isso e sabe o que quer dizer, né? Depois do inverno vem a primavera, nossa estação preferida. Todas as florações que eu presenciar espero que de onde você estiver, possa ver e se sentir realizada comigo como a gente fazia juntas pelo jardim. 

Te amo e a senhora é parte de mim para todo o sempre. Tudo passa, mas o amor prevalece.


{02 de maio de 2022}

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

um dia de cada vez: temperança

hoje me dei conta que há uns dias tenho acordado mais disposta, sem aquele peso no corpo que me fazia querer ficar deitada pelo menos uma parte do meu dia. eu me senti satisfeita comigo mesma e ao mesmo tempo esperançosa de que dias melhores já começaram. quando percebi isso, eu estava cozinhando, coisa que também ultimamente eu não estava com vontade de fazer (eu que sempre gostei de cozinhar). liguei essa melhora na cozinha ao fato de ter conseguido comprar mais comidas, pois antes estava meio escasso aí nem fome eu estava tendo muito. 

eu tive muita paciência comigo e me sinto orgulhosa por isso também. por mais entediante que fosse, eu tentei ao máximo respeitar meus limites, e confesso que por muitas vezes me cansei de mim mesma, e fui sim mudando algumas coisas "na marra". passei a limpar muito a casa, tava sim perturbadassa com limpeza, sendo cobrada o dia todo pela minha cabeça para deixar tudo que eu olhava nos trinques e cansando meu corpo dessa forma. eu só pensava "é ruim essa cobrança o tempo todo, mas é bom ver tudo limpo, é bom para todo mundo". fui dia a dia. por vezes pensando demais, por outras conseguindo colocar uma pausa.

ter finalmente aparecido trabalhos remunerados na minha área para mim, me fez com certeza subir um degrau do fundo do poço que eu estava. não estava fácil ficar sem dinheiro nenhum, acabando as coisas da casa e ver as pessoas ao meu redor com dívidas que também não tinham perspectiva de quando poderiam pagar. ficar sem energia elétrica por um dia todo, não ter dinheiro para comprar pão, ver a ração dos cachorros acabando foram algumas das coisas que mexeram muito comigo. eu fui tendo paciência (foi foda!!), pois cada movimento que eu fazia para dar certo vinha a vida e fechava a porta, falava muito "hoje não, querida" e parecia que por mais que eu me esforçasse só ficava no quase.

eu vivi pra sentir mais uma vez a brisa no rosto, ver mais um pôr-do-sol, ver as plantinhas crescerem, me apoiando, durante os maiores momentos de dor, na premissa de que a vida não poderia ser só isso. foi dia após dia, momento após momento, vivendo só pelo próximo minuto e de novo por mais um, de novo, de novo, até ficar suportável novamente. 

eu tenho conseguido ter essa paciência, mas fico entediada também e num momento ou outro que me irrito comigo mesma, consegui fazer disso, combustível para tomar alguma atitude que embicasse pra um futuro melhor do que aquilo. teve dias que eu me entediei de tanto chorar, me entediei de me sentir mal, me entediei de só ficar limpando coisas. um dia eu vendi todos os ferro velhos de casa, levando na carrinhola ruim mesmo, porque a gente precisava de dinheiro e eu precisava fazer algo nem que fosse dar pouco resultado. fui falar com as pessoas dos estúdios em Sorocaba, não deu certo nada, mas ao mesmo período apareceu uma outra oportunidade inesperada que deu. e assim eu vou.

eu ainda tou vivendo dia a dia, tentando me respeitar, criar rituais diários para quebrar a ansiedade e vivendo na premissa da temperança. foi uma carta que caiu do tarô do Kevin pra nós, quando tínhamos acabado de sair da loja e me fez melhorar muito, me deu o suporte psicológico para aguentar a realidade que tudo passa, me lembrou muito disso. parece que agora que novembro chegou, tudo está destampando para o fluxo da vida começar a girar novamente. até em questões da pandemia, que ainda é preciso tomar cuidado, mas antes de ontem (se não me engano) já foi um dia que nosso estado (SP)  não registrou nenhuma morte por COVID-19 em 24h, o que é um marco enorme, pois foi o primeiro dia desde o início da pandemia. 

tou muito orgulhosa de mim por não ter desistido e por estar aqui pra viver esse momento de melhora, que tenho certeza que vai melhorar muito mais ainda. estou contabilizando pequenas vitórias diárias e de fato me admiro muito por ter sido forte e vulnerável, por ser eu mesma, e conseguir vir subindo degrauzinho por degrauzinho. sei que todos ao meu redor estão conseguindo também e isso não tem preço, sinto que podemos muito. a dor insuportável passa também, mas não é fácil e demanda tempo, muita paciência e respeito consigo mesma. a vida é feita de fases, eu quero estar aqui pra dar meu melhor em cada uma, porque a vida passa muito rápido, a gente querendo ou não. 

sábado, 24 de abril de 2021

foda-se, vai aqui mesmo

as memórias me transpassam no momento que vou andando sob aquelas estradas que eu passava praticamente todo santo dia por quatro anos inteiros da minha vida ouvindo as mesmas músicas que eu ouvia no talo nos meus fones de ouvido olhando a paisagem. era, de certo, um tipo de meditação pra mim, um jeito meu de lidar com aquela fase tão esquisita chamada adolescência.

hoje me sinto tão livre dirigindo e ganhando a estrada com meu fusca até meu destino final. eu gosto do vento, da paisagem e de cantar o mais alto que consigo enquanto piloto com desenvoltura. dirigir bem é um dos meus orgulhos da vida, tenho que admitir sem falsa modéstia. estimulo estar inteira no presente quando tenho que dirigir, desenvolvi ir me acalmando e deixando meus problemas em casa até eu completar meu caminho ou mesmo voltar. também já dirigi chorando inúmeras vezes. uma até tive que parar na estrada, porque o choro me embaçava tanto a vista e não acabava nunca. 

agora que não dirijo distâncias tão longas, experimento chorar no banho, é um momento só meu. eu gosto de sofrer e chorar sozinha. estou melhorando nisso, deixando as emoções fluirem melhor no meu corpo, sem reter. na frente de Kevin já chorei inúmeras vezes, ele não me pergunta, nem tenta me amparar com palavras, ele me abraça quase sempre, de tanto eu pedir abraço nesse momento ele sabe que é o que me serve. a tristeza acontece na nossa vida também e reparei que deixar ir é o que me faltava muito no tempo da adolescência. é um quentinho suave o da melancolia, reconheço que dá  muita vontade de permanecer ali por muito tempo. esse é o perigo. 

eu quero muito voltar a ver a vida com mais ânimo, mas me sinto passando por um processo de lidar com a tristeza. é necessário lidar. eu tou passando pra outra fase da vida, definitivamente. não me sinto bonita por fora, mas consigo achar uns traços de amadurecimento bonitos em mim. eu definitivamente gosto de mim agora, já é um fato (ufa!), tenho conseguido perceber meus limites e quando eu tou passando pra uma dinâmica de relacionamentos ruim. mas é fato que preciso me arrumar, me sentir linda, atraente. eu nunca havia reparado o quanto receber olhares desconhecidos de quaisquer natureza faz falta. não ser olhada como um objeto, mas simples olhares mesmo, daqueles que se perguntam quem eu sou, se já me viu antes ou supõe que eu poderia ser uma boa amiga ou que transo bem. só esse mistério que não realiza nada, fica no ar, no momento.

eu sentia muito tesão quando eu saía pra dar rolê com Kevin pelo centro. são inúmeras as vezes que transamos no carro. parecia que aquelas noites pulsavam e davam um ar diferente nos meus pulmões. a vida foi ficando mais pesada, viver nesse planeta foi ficando. a vida adulta de verdade encaçapou algumas das levezas do nosso dia a dia. vamos sair dessa pandemia mais maduros, com certeza, sabendo valorizar e aproveitar a leveza dessas noites melhor, eu acho. sempre vi beleza em conversar com os amigos na rua, sentar em qualquer lugar, beber água mesmo e fumar em rodas, apesar de eu reservar esse feito para dias de algum equilíbrio interior (que não eram muitos, enfim), eu participava da roda só pegando e passando. mas o estar ali me animava, o mistério de ser e estar num grupo tão legal com o menino que eu gostava e queria dar.

domingo, 27 de dezembro de 2020

*[tatuí em 23 de novembro de 2020]*

sob o sol poente, me encontro no meio da cidade com meu carro parado à beira da calçada como tantas vezes antes estive. depois de um longo tempo sem ver esse local, talvez beire um ano, tudo ainda me parece incrivelmente familiar. os prédios beirando o abandono não estão mais entupidos de pessoas e as ruas agora parecem tão ocas sem aquelas infinidades de bocas falantes que as enchiam com suas vozes e gritos. os animais hoje ocupam o lugar que sempre estavam ocupados pelas pessoas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

eu tou em cacos

eu tou em cacos, juntando cada centelha de luz que entra pra conseguir iluminar esse caos e encontrar um jeito de restaurar meu coração. frequentemente me pego pensando nos que se foram nos últimos dias, elas não voltarão a ver o mundo sem pandemia, quem fica não vai vê-las mais por lá, e um dúvida surge: será que EU vou voltar a ver o mundo sem pandemia? desde meu encontro com minha profecia infantil de morte aos 24 anos quando nesse bendito 2020 eu os completei, é difícil eu passar um dia sem ouvir falar ou passar por mim esse tema. eu sonhei muito nos últimos dias com esse tema de morte/renascimento e cobras, sempre cobras. pensei sobre elas. além de ser um dos únicos animais que eu definitivamente tenho medo, ela pode representar muito bem esse ciclo de morte/renascimento em sua troca de pele sazonal. faz sentido, se for ver... pelo menos pra mim. enfim, eu senti muito cada pedacinho de conhecidos que morreram e parece que nesse ano está morrendo muita gente, tanto de covid-19 quanto de outras coisas. é bizarro. sendo bem otimista e aproveitando esse momento, apesar de ser de muito sofrimento, essa minha sensibilidade com essa questão, além de choros e eventual ansiedade, tem me rendido uma melhor maturidade, eu acho. antes eu custava aceitar que as pessoas morrem e me esforçava pra durar o máximo possível, até pra que eu não precisasse pensar sobre; hoje eu sei que morremos sim e que, infelizmente, pode ser antes do que a gente imagina, mas que, diferente do que eu pensava quando adolescente, isso não precisa ser algo triste. houve um dia que eu não vi saídas pra mim, um dia que eu desisti de verdade de viver, cansei, mas no fim sobrevivi a ele e estou aqui. de resto, houveram muitos outros, desde o ano passado que eu pensei que não estar aqui fosse o melhor, mas não desisti integralmente. por causa dessas coisas, eu venho redescobrindo meus prazeres de criança de só observar o tempo passar, o balanço da natureza e o funcionar das coisas. tenho revisitado memórias, criado afetos com a terra, abandonado culpas e também a esperança cega nas pessoas. tem sido duro, mas tem sido minha verdade. muitas vezes é também meu prazer quando me deixo invadir pela leveza do desconhecido ao invés da densidade dessa escuridão interior/exterior que estou acessando como novidade. frequentemente me vejo falando às pessoas que não consigo ajudá-las, infelizmente, por estar lidando, inclusive com dificuldade, com minhas próprias questões. de tanto não aguentar, aprendi a dizer que tou em cacos e não gastar energia pra tentar disfarçar, salvo grandes necessidades. de ver o lado bom das coisas, acho que a pandemia de certa forma me salvou e isso é muito profundo. eu iria ter que dar um freio de qualquer forma, calhou de ser externo. fazer o que? ainda tem mais uma: meus pais estão separando. mais um luto, mas mais um começo para nossa família. apesar de tudo, eu costumo gostar de novos rumos, só ainda lamento meu pai não ir tão devagar em certas questões. uma forma que eu vi que dá pra lidar com as coisas é surtando mesmo, botar pra fora tudo me salvou naquele dia que desisti. anotado. e também nem todo mundo pode surtar na mesma hora, revesem os surtos. anotado. eu posso surtar, não sou uma pessoa perfeita e isso é extremamente libertador. anotado. estou vulnerável, em cacos, tou tentando me reconstruir, lidem com a minha eu interiorizada. vai dar tudo certo mesmo parecendo que não vai.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

quando foi que ficamos um pouco loucos?

num sobressalto chegou pros três amigos reunidos que conversavam e riam e se apresentou, rapidamente dizendo a que veio: vocês ouviriam algumas músicas minhas? seus olhos pareciam crescidos quando falava das percussões e de outras ideias musicais, sempre esperando ansioso uma resposta, como se buscasse ler os pensamentos vazantes da mente de seu interlocutor. chegava perto, falava perto, olhava perto. era meio louco, de fato. seus olhos crescidos se tornam um cartoon perfeito na memória daqueles prédios também enormes, onde habitou por várias tardes no decorrer de mais ou menos um ano e meio. vagava na maioria do tempo na companhia de alguém com a cabeça virada à pessoa, sinalizando algum som para ela ouvir no seu smartphone antigo. parecia definitivamente que tinha inúmeras coisas a dizer antes daqueles encontros de corredor se findarem por pura pressa ou horário de ônibus. vários livros escritos no word, várias músicas, personas, realmente muitas percussões, passos dançantes, vídeos em sépia e azulados, muita obra começada e terminada imaginariamente, versos livres, sem pausa, freneticamente um registro corrido de pensamentos, mas que faziam tanto sentido se aquela frequência fosse acessada.

 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

[ao som de jazz]

estar numa noite na plateia de uma sala de concerto, vestida com minha roupa preferida, calçando chinelos, meu colar de âncora, meus cabelos rebeldes enormes soltos, sem dinheiro, bem alimentada, sozinha ali, só aproveitando a sensação do desconhecido, a embriaguez da música, a energia desse lugar. esquecer do smartphone por aquelas horas, sorrir com a pessoa desconhecida mais próxima quando os músicos fazem alguma piada. criar um laço eterno/efêmero navegando naquele sentir quase louco e excitante de todos os poros e neurônios adormecidos, ver um rosto conhecido e apenas estar no presente. tirar uma única foto pra lembrar que lá estive, sair extasiada, caminhar o centro todo pra casa com mil pensamentos brisantes de possibilidades e caminhos infinitos que posso/irei viver, me sentir eterna num momento, me sentir em constante mudança, ver-me parte de algo, lembrar dos olhares, imaginar palavras ainda não ditas. fazer da caminhada esse ritual, andando devagar, olhando cada pedacinho da cidade com curiosidade, depois finalmente chegar em casa, trocar de roupa, deitar na cama e não conseguir dormir por horas, ainda viajando na brisa boa. saudades disso.

choro engasgado

tou com um choro engasgado no meu sentir de hoje não encontro alguém com quem eu possa estar vulnerável e me permitir estar triste me cobro ...